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Na Fazenda Belmonte, a hortaliça cresce em areia

Na Fazenda Belmonte, a hortaliça cresce em areia

Projeto piloto da COOPAIBI no Ponto Novo troca a terra por areia em bancadas de 90 cm e leva o alimento pela água, com fundamentos da hidroponia. Alface, coentro e cebolinha o ano todo, e ninguém precisa se abaixar para trabalhar.

Quem chega à Fazenda Belmonte, na região do Ponto Novo, vê de longe o que parece uma horta comum: alface verde, alface roxa, coentro e cebolinha debaixo de uma cobertura branca comprida. Chegando perto, aparecem duas diferenças. A horta não está no chão, e embaixo do pé de alface não tem terra. Tem areia.

É o Projeto Piloto de Cultivo Protegido da COOPAIBI, implantado na propriedade do nosso cooperado Giorgio Correia. A ideia é fácil de contar e nova por aqui: plantar em areia, usando os fundamentos da hidroponia, em bancadas na altura da cintura e debaixo de cobertura, para colher o ano inteiro.

Por que areia, se areia não tem alimento

Essa é justamente a vantagem. Na terra, a planta come o que o solo tem, e cada pedaço de terra tem uma coisa diferente. Quem planta fica adivinhando o que falta.

A areia não dá alimento nenhum. Ela só faz duas coisas, e faz bem: segura a raiz de pé e deixa a água escorrer. Não empoça, não encharca, e raiz que não fica parada na água não apodrece.

Com a areia neutra, quem decide o que a planta come é quem planta.

O alimento vai na água

Esse é o fundamento que vem da hidroponia. Na hidroponia a raiz fica direto na água com os nutrientes dissolvidos, sem nada em volta. Aqui é o mesmo princípio, com a areia no meio para sustentar a planta.

A água corre por mangueiras finas que passam ao lado das fileiras, com furos de espaço em espaço. Ela sai devagar, direto no pé, misturada com o que a planta precisa naquela fase. Chama-se fertirrigação, e o nome quer dizer só isso: adubar irrigando.

O que se ganha:

  • Gasta menos água. A água cai no pé da planta e não no corredor.
  • Gasta menos adubo. Vai a dose certa, na hora certa, e não de uma vez na bancada toda.
  • Menos doença de solo. A areia não carrega os fungos e as bactérias que ficam na terra de um plantio para o outro.
  • Dá para plantar onde a terra é fraca. A qualidade do solo deixa de mandar no resultado.

Trabalhar em pé, sem se abaixar

As bancadas têm 90 cm de altura. Parece detalhe e não é: é o que muda o dia de quem trabalha na horta.

Horta no chão se planta, se limpa e se colhe de cócoras ou de costas curvadas, hora após hora. É assim que vem a dor na coluna e no joelho, e é por isso que muita gente mais velha larga a horta antes de querer largar.

Na altura da cintura, a mesma tarefa é feita em pé, com o braço à frente do corpo. Rende mais porque cansa menos, e permite que pessoas de mais idade e quem já tem problema de coluna continuem trabalhando.

Tem outro ganho junto: longe do chão, a folha não recebe respingo de barro na chuva e fica menos exposta às pragas que andam pelo solo. Colhe-se mais limpo, e folha limpa chega melhor na mão de quem compra.

E por que coberto

A cobertura por cima não é para dar sombra. É para segurar a chuva.

Chuva forte estraga folha, e folha estragada não vende. Pior que isso: folha molhada o dia inteiro é onde o fungo começa. No tempo das águas, a horta a céu aberto perde parte do que plantou e às vezes perde tudo.

Debaixo da cobertura a planta recebe a água que a gente manda, na quantidade que a gente escolhe. Chovendo lá fora, a bancada continua trabalhando.

O que isso muda para a cooperativa

Colher o ano todo não é só colher mais. É colher toda semana, e isso vale mais do que parece.

Comprador grande não compra de quem some no inverno. Ele quer saber quantas caixas chegam e em que dia. Uma horta que produz o ano inteiro é uma horta que pode assumir compromisso, e é juntando várias assim que a cooperativa alcança um volume que nenhum cooperado alcança sozinho.

A COOPAIBI já entrega hortaliça para a alimentação escolar, e é esse tipo de compra que mais cobra regularidade.

Piloto quer dizer que ainda estamos aprendendo

O projeto é piloto de propósito. A cooperativa está acompanhando de perto quanto rende cada bancada, quanta água e quanto adubo cada ciclo consome, e quais culturas se dão melhor na areia.

O que der certo aqui vira receita para outros cooperados montarem a sua, com o custo já medido e os erros já cometidos.

Quem quiser conhecer de perto pode falar com a cooperativa.

Vídeo

Fotos

Bancada recém-plantada. As mangueiras de gotejo correm ao lado de cada fileira.
Bancada recém-plantada. As mangueiras de gotejo correm ao lado de cada fileira.
De perto: coentro novo na areia, com a linha de gotejo passando rente ao pé.
De perto: coentro novo na areia, com a linha de gotejo passando rente ao pé.
Mudas em fileira, no começo do ciclo.
Mudas em fileira, no começo do ciclo.
Alface verde adulta, pronta para colher.
Alface verde adulta, pronta para colher.
Alface roxa na mesma bancada. O piloto testa mais de uma cultura ao mesmo tempo.
Alface roxa na mesma bancada. O piloto testa mais de uma cultura ao mesmo tempo.
Coentro fechando a bancada.
Coentro fechando a bancada.
Bancada preparada com areia limpa, esperando o próximo plantio.
Bancada preparada com areia limpa, esperando o próximo plantio.

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